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domingo, 20 de setembro de 2026

Justiça mantém prisão de vereador após batida em carro de policial em Ponta Porã

Vereador teria batido em uma picape e, depois, atingido o carro do policial

O vereador de Ponta Porã Dionaldo Morinigo — preso após bater contra uma picape conduzida por um adolescente e contra um carro de um policial — passou por audiência de custódia neste domingo (20) e continuará na cadeia.

Preso na última sexta-feira (18), o vereador é suspeito de lesão corporal culposa qualificada pela condução de veículo automotor sob a influência de álcool e majorada pela omissão de socorro, ameaça, corrupção ativa e desacato.

Ao Jornal Midiamax, o advogado Marcos Ivan, que representa a defesa de Dionaldo, afirmou que vai buscar na Justiça a liberdade do cliente.

“Sobre a alegação de que não é o momento de se analisar o mérito, a defesa entende. A defesa compreende que tais medidas nesse momento são muito temerárias e prejudiciais ao devido processo legal. Deveria existir, em tese, uma melhor análise desde a fase inquisitória, bem como agora, mas, sabendo que não é a via estreita para se discutir tal conduta e tal situação neste momento, a defesa respeita e vai buscar junto ao juízo competente a liberdade dele”, falou o advogado.

Prisão

De acordo com o boletim de ocorrência, o policial conduzia seu veículo pela Avenida Presidente Juscelino Kubitschek. Na altura do cruzamento com a Avenida Heliodoro Salgueiro, ele presenciou a caminhonete Toyota Hilux, em alta velocidade, passando uma lombada e batendo na lateral de uma picape.

Na ocasião, o condutor teria se evadido em direção à Vila Renault. Assim, o policial que flagrou o acidente começou a acompanhar o condutor e o abordou a aproximadamente 2 quilômetros depois, na Rua Urumbela.

Tentativa de suborno em abordagem

Logo que o policial parou e se identificou, o condutor teria desembarcado e se identificado como agente de segurança pública. Ele afirmou que estava armado e teria ostentado a arma de fogo.

O policial teria pedido que o vereador entregasse a arma, mas teve o pedido recusado, alegando que o agente “não era nada”. Em seguida, o homem afirmou ser bombeiro e vereador, além de possuir parentesco com uma figura política da cidade.

Ainda no local, o vereador teria questionado se teria uma forma de “resolver ali”, sem envolver órgãos policiais, por pertencerem à mesma corporação. Então, o policial informou que o apoio já havia sido acionado e que deveriam aguardar no local.

Com a chegada da PM e Guarda Municipal, as equipes tentaram novamente convencer o vereador a entregar a arma, momento em que ele teria passado a negar o porte. Ele ainda teria proferido xingamentos e ameaças ao policial no local, afirmando que iria “pegá-lo depois”.

Depois, o vereador entregou a arma à PM, que constatou se tratar de um revólver Sig Sauer, calibre 9 mm, de origem paraguaia e sem o devido registro. Ele estava municiado com 15 cartuchos no carregador acoplado e câmara desalimentada.

Como os militares notaram sinais de embriaguez no vereador, foi oferecido o teste do bafômetro, mas o parlamentar se recusou a fazer. No carro dele, foram encontradas latas de cerveja e havia um forte odor de álcool.

O vereador foi encaminhado à delegacia e, quando apresentado à autoridade policial, teria abraçado o delegado e o chamado de “tenente”. A perícia foi acionada para os levantamentos no local do acidente.

Diante dos fatos, o vereador foi preso em flagrante por lesão corporal culposa, qualificada pela condução de veículo automotor sob a influência de álcool e majorada pela omissão de socorro, ameaça, corrupção ativa e desacato.

A reportagem entrou em contato com o vereador e presidente da Câmara Municipal de Ponta Porã, Jelson Bernabé, para falar sobre o episódio envolvendo o parlamentar. Ele informou que está apurando o ocorrido e irá emitir um posicionamento.

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