Nova reunião entre as partes deve ocorrer no dia 19 de outubro
Enfermeiros e técnicos da Santa Casa de Campo Grande tiveram parte da sobrecarga causada pelo acúmulo de funções resolvida após reclamações levadas ao Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem) e ao MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em MS) durante reunião nesta segunda-feira (5). Entre as medidas apresentadas pelo hospital, estão a contratação de 13 coletadores e o remanejamento de outros sete profissionais para atuarem no setor de coleta de exames.
Conforme o sindicato, durante a reunião, foram discutidas as condições de trabalho da enfermagem após a Santa Casa encerrar o contrato com o laboratório que prestava serviços ao hospital. Essa mudança fez com que a responsabilidade pelos exames passasse para enfermeiros e técnicos, o que aumentou a carga horária deles.
De acordo com a advogada do Siems, Olívia Brandão, a categoria também vinha sendo direcionada para o transporte de pacientes, função atribuída aos maqueiros. O sindicato afirma que houve casos de profissionais suspensos por se recusarem a realizar a atividade.
A medida, no entanto, ainda não alcançou todos os setores. O gerente do Sadt (Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico), Felipe Soares Alves, informou que a unidade do trauma ainda não conta com os novos coletadores. Há previsão de novas contratações para o setor, mas ainda sem prazo definido.
Outro ponto discutido na mediação, conforme Olívia, foi o transporte de pacientes, que ainda será acompanhado pelo sindicato e pela Santa Casa. Segundo ela, a instituição informou que pronto-socorro, cirurgia, clínica médica e hemodiálise já possuem maqueiros. Nas UTIs, pacientes críticos são transportados por uma equipe formada por médico, enfermeiro e fisioterapeuta.
Para o Siems, a preocupação está principalmente nos setores com equipes reduzidas. A vice-presidente do sindicato, Helena Delgado, explicou que, quando um profissional precisa deixar o posto para acompanhar um paciente até exames ou outros setores, a equipe que permanece no local fica desfalcada.
“Essas questões sempre parecem muito pequenas vistas de fora, mas o impacto dentro da atuação dos profissionais é imenso”, disse.
O gerente de Gestão de Pessoas, Gabriel Santos da Cruz, se comprometeu a levar a questão à superintendência da Santa Casa, atualmente ocupada por interventor nomeado pelo Ministério Público.
O que acontece agora?
Nos próximos 15 dias, representantes do Siems, dos Recursos Humanos e da Gestão de Enfermagem da Santa Casa vão avaliar os setores mais críticos e buscar novos encaminhamentos. Uma nova reunião de mediação no MPT está marcada para 19 de outubro, quando deverá ser discutida principalmente a situação dos maqueiros.
A Santa Casa está sob intervenção e não conta atualmente com diretoria, segundo informado pela instituição durante a reunião.

