No Setembro Amarelo, candidata chama atenção para dados entre jovens, indígenas e profissionais da segurança e defende mais recursos federais para prevenção e atendimento
Os indicadores de suicídio em Mato Grosso do Sul colocaram a saúde mental entre as pautas que Cassy Monteiro (PL-MS), candidata a deputada federal, quer levar ao debate em Brasília. Em meio ao Setembro Amarelo, ela chama atenção principalmente para a situação de jovens, indígenas e profissionais da segurança pública e defende ampliar recursos e estrutura de prevenção no Estado.
Dados do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mostram que Mato Grosso do Sul registrou, em 2024, a terceira maior taxa de suicídio do país entre pessoas de 10 a 19 anos, com 7 mortes por 100 mil habitantes. Em 11 anos, foram 469 mortes nessa faixa etária. No mesmo período, a taxa de internações após tentativas de suicídio classificadas como lesões autoprovocadas voluntariamente cresceu 971,4% no Estado, o maior aumento do Brasil. “Não dá pra olhar pra um número como esse e tratar como estatística. É um pedido de socorro de uma geração inteira”, afirma Cassy.
O cenário também é grave entre indígenas. O Atlas aponta que Mato Grosso do Sul teve, em 2024, 151,8 suicídios por 100 mil indígenas, a maior taxa do país. O índice é aproximadamente sete vezes a média nacional entre a população indígena, de 20,9 por 100 mil.
A relação de Cassy com o tema antecede a campanha. Formada em Psicologia, ela realizou atendimentos voluntários a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade e defende o fortalecimento da atenção à saúde mental no interior, nas escolas, nas comunidades indígenas e entre profissionais da segurança pública.

“Eu me formei em Psicologia e, antes de qualquer coisa que eu tenha feito na política, o meu trabalho foi esse: sentar na frente de uma pessoa e escutar de verdade. Eu atendi voluntariamente famílias em situações de vulnerabilidade aqui no nosso Estado. Ouvi mães que já não sabiam como seguir, jovens que não conseguiam mais enxergar uma saída e gente que chegava dizendo que estava tudo bem, mas que depois de alguns minutos de conversa simplesmente desabava em choro”, relata.
A situação dos profissionais da segurança pública também é citada por Cassy. Segundo a candidata, o sofrimento mental de policiais precisa deixar de ser tratado como um assunto secundário dentro das políticas de valorização da categoria. “São homens e mulheres treinados para proteger, resistir e suportar, mas que muitas vezes não encontram espaço para pedir ajuda”, afirma.
Para Cassy, os números de Mato Grosso do Sul precisam ganhar espaço também na discussão nacional sobre recursos destinados à saúde. “Não falta diagnóstico sobre a gravidade do problema. Falta prioridade e recurso chegando à ponta. Saúde mental não pode aparecer apenas depois de uma tragédia. Precisamos fortalecer a prevenção e fazer o poder público chegar antes”, afirma.
A candidata relaciona a pauta à defesa da vida, uma das bandeiras de sua atuação. “Eu defendo a vida desde a concepção, mas essa defesa não termina no nascimento. Ela continua na infância, na juventude, na mãe que chegou ao limite e no policial que adoece em silêncio. Defender a vida também é chegar antes”, conclui Cassy.
Pessoas em sofrimento emocional ou com pensamentos suicidas podem procurar gratuitamente o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia.

