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sábado, 12 de setembro de 2026

Presidente da Santa Casa está indignada com prisão: ‘Idosa com problemas de saúde’, diz defesa

Presidente da Santa Casa está indignada com prisão: ‘Idosa com problemas de saúde’, diz defesa

A defesa da presidente do hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, Alir Terra Lima, afirmou neste sábado (12) que ela está indignada com as investigações que a levaram à prisão. A operação contra corrupção na unidade prendeu mais cinco pessoas.

Ela passou por audiência de custódia neste sábado. Como a prisão é preventiva, apenas o deferimento de um habeas corpus pode liberá-la.

“Alir está bem, está indignada com as imputações. Enquanto presidente da Santa Casa, ela não realiza nenhum pagamento, não é ordenadora de despesa, então ela está bem confusa com todas as acusações. A gente está começando a preparar a defesa dela para no início da semana fazer o pedido de revogação da prisão preventiva”, afirmou o advogado Murilo Marques.

A defesa argumentou na audiência de custódia as condições de vida de Alir, mas vai recorrer da prisão a partir de segunda-feira (14).

“Ela já tem mais de 70 anos, é idosa, tem alguns problemas de saúde, pedimos a prisão domiciliar, mas como não é o juízo da causa, entende que não pode fazer uma retratação. Então a gente vai aguardar e, no nosso pedido de revogação, um dos fundamentos vai ser esse. Mas além disso a gente acredita muito na Inocência dela e na inexistência de motivos para ela estar segregada cautelarmente”, explicou Marques.

Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande

Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os alvos foram:

  • Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
  • Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
  • Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
  • Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
  • Maurício Aparecido Benites, empresário.

As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.

O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.

Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.

Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral do Estado de MS).

O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.

A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).

Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.

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