Após 13 anos sem novos projetos, retomada chega a outras áreas, embora a procura supere a capacidade
A reforma agrária voltou a avançar em Mato Grosso do Sul depois de mais de uma década sem a criação de novos projetos de assentamento, mas a retomada ainda ocorre em ritmo muito inferior ao tamanho da demanda por terra. Dados atualizados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) apontam cerca de 19,5 mil famílias acampadas em 101 acampamentos espalhados por 32 municípios do Estado.
Enquanto a fila permanece na casa dos milhares, cerca de 1.100 famílias estão em processo de seleção para ingresso no PNRA (Programa Nacional de Reforma Agrária). O Incra afirma que pretende lançar, até o fim deste ano, novos editais para incluir outras mil famílias.
Os números foram informados pelo Incra ao Campo Grande News em um balanço sobre a retomada da reforma agrária no Estado. O instituto havia anunciado, em março, a expectativa de assentar cerca de 3 mil famílias em Mato Grosso do Sul em 2026. Questionado agora sobre quantas já foram efetivamente assentadas e se a previsão está mantida, o órgão não apresentou esse número. Informou que está finalizando a seleção das 1.100 famílias e que pretende abrir editais para outras mil até dezembro.
Caso as duas previsões se concretizem, cerca de 2,1 mil famílias estarão incluídas nesses processos. O número, contudo, não pode ser tratado como total de famílias efetivamente assentadas, já que parte delas continua em seleção e os novos editais sequer foram lançados.
Retomada – O cenário atual marca uma mudança em relação aos últimos anos. Segundo o próprio Incra, antes da retomada, o último projeto de assentamento criado em Mato Grosso do Sul havia sido o Nazareth, em Sidrolândia, em 2013.
O intervalo terminou em 2025 com a criação do PA (Projeto de Assentamento) União e Reconstrução, em Cassilândia. A área de 718,7 hectares foi destinada a 80 famílias. O Campo Grande News mostrou à época que era o primeiro novo projeto criado no Estado desde o Nazareth. Em 2026, a retomada passou a avançar também pela obtenção de novas propriedades rurais.
No início deste ano, o Incra informou à reportagem que nove áreas já haviam sido avaliadas e estavam com procedimentos administrativos de obtenção em andamento. A estratégia adotada pelo órgão tem sido principalmente a compra e venda de imóveis rurais, mecanismo previsto no Decreto nº 433/1992. Naquele momento, ainda não havia confirmação de que todas as áreas seriam efetivamente destinadas a assentamentos.
Em março, movimentos sociais ocuparam a sede do Incra em Campo Grande e chegaram a bloquear a BR-163 para cobrar aquisição de terras e avanço da reforma agrária. As manifestações ocorreram em meio a uma demanda que, naquele momento, já era estimada em quase 19 mil famílias.

Imagem de satelite mostra a localização da fazenda Santo Antônio de Pádua (Fonte: Cadastro ambiental rural)
Duas áreas – Agora, segundo o Incra, dois processos estão em fase final: as fazendas Paraíso, em Jaraguari, e Santo Antônio de Pádua, em Naviraí. Juntas, as aquisições envolvem cerca de R$ 130 milhões.
