Abrir as portas do comércio todos os dias virou um exercício de pura teimosia. A sequência de grandes redes do varejo pedindo recuperação judicial não surpreende quem vive a realidade do balcão. O que estamos vendo é o resultado de uma asfixia que começa na política econômica de Brasília e termina na porta da loja, com a omissão da prefeitura.
Em nível nacional, o cerco é total. A carga de impostos não dá trégua, o crédito continua caro demais para quem precisa de capital de giro e o consumidor está com a corda no pescoço. São mais de 70% das famílias endividadas, sem margem para comprar. Para piorar, a febre das apostas online passou a drenar parte relevante do salário do trabalhador, tirando o dinheiro que antes girava na farmácia, na sapataria e na loja de roupas da esquina.
Mas se a macroeconomia castiga, a gestão municipal dá o empurrão final para o abismo. O empresário cumpre todas as regras, paga IPTU e taxas abusivas, mas quando olha para a calçada encontra um cenário de guerra. As ruas de Campo Grande estão tomadas por buracos e sujeira. O centro, que deveria ser o cartão de visitas e o maior shopping a céu aberto da nossa capital, foi entregue ao abandono. Convivemos diariamente com a falta de segurança, dependentes químicos sem atendimento adequado e pessoas em situação de rua sem qualquer acolhimento efetivo.
Para completar o absurdo, ferros-velhos funcionam livremente 24 horas por dia sem uma fiscalização rigorosa, alimentando a receptação de fiação, hidrômetros e tampas de bueiro que são arrancados das empresas toda semana.
O cliente simplesmente não vai a um lugar onde sente medo de andar. Quando a cidade afasta as pessoas, o comércio morre e as placas de “aluga-se” tomam conta das fachadas.
O varejo é o setor que mais emprega e mais sustenta este município. Não estamos pedindo favores, queremos o básico: zeladoria, ordem, segurança e respeito a quem trabalha. Do jeito que está, a conta ficou pesada demais para o lojista carregar sozinho.
Adelaido Figueiredo
Presidente da CDL Campo Grande

