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domingo, 12 de julho de 2026

Chinesa que desistiu de fábrica bilionária em MS faz acordo para ‘enterrar’ ação

BBCA vai pagar R$ 723 mil ao município de Maracaju

A multinacional chinesa BBCA aderiu ao Refic e vai pagar R$ 723.388,07 para encerrar disputa judicial que se arrasta desde 2022, com o município de Maracaju, na Justiça.

A BBCA prometeu investimento de R$ 2,2 bilhões em MS, mas não entregou quase nada. O projeto apresentado em 2013 parecia ser um grande negócio, com instalação de uma fábrica de derivados de milho e produtos químicos na cidade, distante 158 km de Campo Grande. Para isso, recebeu diversos incentivos fiscais e até um terreno avaliado em R$ 10 milhões, que foi cedido pelo município e também é alvo de disputa judicial.

O processo é uma execução fiscal movida pelo município de Maracaju, desde 2022, que cobrava o pagamento de valores a título de IPTU e ISS.

No decorrer do processo, a BBCA chegou a fazer um depósito de R$ 549.706,30. No entanto, o município contestou e pediu que a Justiça penhorasse mais R$ 106.910,81 para suprir os juros, correção monetária e honorários de advogados.

Por fim, a empresa chinesa pagará uma parcela de R$ 677.478,17 para quitar a dívida dos impostos e outros R$ 45.909,90 para os honorários.

Imbróglio na Justiça

Chinesa que desistiu de fábrica bilionária em MS faz acordo para ‘enterrar’ ação
Instalações da BBCA estão paradas em Maracaju. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

No entanto, ainda continua em disputa judicial uma ação movida pela BBCA contra o município de Maracaju para reaver R$ 1.401.448,31 pagos em impostos antecipados.

A indústria asiática pagou cerca de R$ 2,5 milhões adiantados antes de iniciar o projeto, lá em 2015. Porém, como o negócio não vingou, tentou recuperar o R$ 1,4 milhão remanescente.

A prefeitura diz que já prescreveu o prazo para a BBCA solicitar o crédito remanescente e agora o caso aguarda uma decisão judicial.

No início do mês, o juiz Marco Antonio Montagnana Morais negou pedido dos chineses, alegando que o prazo prescricional é de cinco anos e que os chineses demoraram muito mais que isso para pleitear a questão. “Permitir a restituição de valores após o decurso de longo lapso temporal implicaria afronta ao princípio da segurança jurídica e à própria disciplina da prescrição”, considerou em sua decisão.

No entanto, a BBCA entrou com recurso contestando a decisão.

BBCA descumpriu acordo

Tudo começou em 2013, quando o projeto foi apresentado. Para viabilizar as operações, o município entrou com a doação do terreno — hoje avaliado em R$ 10 milhões — e o Governo do Estado providenciou diversos incentivos fiscais.

Entre as promessas dos chineses, estavam o investimento bilionário e a geração direta de mais de 1,3 mil empregos. A previsão inicial era de que a implantação da planta ocorresse em dezembro de 2017.

No total, foram quatro termos aditivos ampliando os benefícios fiscais — e também os prazos para início das operações —, como isenção de impostos para compra de máquinas e de ICMS sobre matérias-primas.

No último acordo com o Estado, em 2018, ficou estabelecido que a primeira fase de operação seria no início de 2020. Como contrapartida aos incentivos recebidos, a BBCA deveria recolher por três anos com o Fadefe (Fundo de Apoio ao Desenvolvimento e de Equilíbrio Fiscal do Estado).

Então, os benefícios fiscais de natureza industrial foram prorrogados até o fim de 2032. A contrapartida da BBCA seriam investimentos anuais fixos, manutenção de empregos e manter faturamento mínimo anual.

Em 2019, o Estado negou pedido da BBCA para prorrogar novamente o benefício fiscal comercial, já que ainda não havia iniciado suas operações e sequer estava contribuindo com o Fadefe.

Logo, em março de 2021, o Governo do Estado notificou a empresa para que informasse sobre o andamento do projeto e apresentasse as justificativas para o descumprimento do acordo.

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