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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Operação Laços Ocultos, abre novo inquérito e mira contratos na gestão de ex-prefeitos de Nova Alvorada do Sul

A investigação desencadeada pela Operação Laços Ocultos que levou a denúncia contra 17 acusados de fazerem parte de um esquema de corrupção em Amambai, já esta com radar em10 outros municípios de Mato Grosso do Sul. Isso porque o Ministério Público Estadual abriu novo inquérito para apurar o envolvimento  de “outros” servidores e empresários em fraudes em licitações de prefeituras, inclusive na cidade de Nova Alvorada do Sul, onde os acusados tinham contratos e laços políticos.

A Operação Laços Ocultos, do MPE, revelou que o grupo liderado pelo vereador Valter Brito da Silva (PSDB) utilizou 13 empresas ligadas a familiares e empresários para forjar concorrência e garantir R$ 78 milhões em contratos em municípios no interior do Estado.

A maioria dos contratos foram fechados em Amambai, mas a denúncia do Ministério Público cita pelo menos uma dezena de cidades em que o grupo atuou: Eldorado, Sete Quedas, Japorã, Paranhos, Juti, Nova Alvorada do Sul, Caracol, Mundo Novo, Caarapó e Itaquiraí.

No entanto, com o aprofundamento das investigações no novo inquérito aberto, outros fatos podem surgir e revelar mais envolvidos, inclusive servidores.

Em conversa interceptada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC), a denunciada Letícia de Carvalho Teoli, sobrinha do vereador Valter Brito, ela presta contas sobre licitações de obras públicas da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) nos municípios de Eldorado e Sete Quedas, além de informar que já está “combinado” com engenheiros desta última cidade.

A empresa JFL Construtora, acusada de participar do esquema em Amambai, também teve contratos em Japorã e Paranhos. A Transmaq Serviços foi responsável por obras em Nova Alvorada do Sul. Empresas do suposto grupo criminoso foram concorrentes em Caracol, em que a J&A Construtora foi vencedora.

E-mails usados como provas pela Operação Laços Ocultos contém boletins de medições de obra realizada em Sete Quedas, cujos documentos são assinados por engenheiro civil da prefeitura do município.

“Reforçando os indicativos de que as empresas expandiram a fraude para outros municípios, locais em que também contam com o auxílio de servidores públicos”, afirma o Ministério Público Estadual, na denúncia aceita pela Vara Criminal de Amambai, no dia 6 de dezembro de 2023.

A informação da abertura de novo inquérito foi comunicada à Justiça pelos promotores Adriano Lobo Viana de Resende, coordenador do GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), Humberto Lapa Ferri e Nara Mendes Dos Santos Fernandes, no último dia 7 de dezembro.

Segundo informações, apuradas pelo site O Jacaré, apurou que os promotores apuram se os réus cometeram “novos crimes a serem revelados com a análise do material apreendido”. E também miram a participação de outros servidores no esquema de desvio. 

De acordo com uma fonte, a expectativa é desmembrar o inquérito em outros para apurar o esquema de desvios em outras prefeituras do interior do Estado.

O juiz Daniel Raymundo da Matta, da Vara Criminal de Amambai, aceitou a denúncia as 17 pessoas acusadas pelo MPE. Ele também determinou o levantamento do sigilo da ação penal.

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