Campo Grande, Segunda-feira 17 de dezembro de 2018
23/09/2016 16h16 - Atualizado em 23/09/2016 16h16

"Cia Laranja Lima" Jovens atores, sonhadores e dedicados ao trabalho teatral

Existem oportunidades que são capazes de mudar a vida de muitas pessoas, e em Nova Alvorada do Sul um grupo de jovens estudam, produzem e atuam em peças teatrais, utilizando os palcos para enfrentar desafios, desmistificar ideais, buscar mudanças dentro e fora de casa, para que as pessoas vejam esse trabalho com mais amor e menos preconceito.

Por Tainan Gama

Foto: Adriel Filipe // Companhia de Teatro Laranja Lima com  diretor Luiz Roza Foto: Adriel Filipe // Companhia de Teatro Laranja Lima com diretor Luiz Roza

Na tarde da última quarta-feira (21) batemos um papo com o a turma da Companhia de Teatro Laranja Lima, que nasceu em São Paulo no ano de 2012 e a sete meses veio para Nova Alvorada do Sul.

"Com o professor Luiz estamos ganhando uma oportunidade diferente. Estamos aqui porque queremos acabar com o dizer ‘Nova Alvorada não tem isso, não tem aquilo’, agora tem, a gente está aqui para poder mudar isso. E tudo está sendo muito gratificante, por mais difícil que seja, na rua na escola e dentro de casa. Se a gente lutar e tentar mostrar para as pessoas que esse ponto de iniciação está dando resultado, as pessoas terão uma visão diferente". Frisou Amabile Andrade, uma das atrizes juvenis, que sente-se preocupada com a forma na qual as pessoas de Nova Alvorada do Sul não mostram interesse com o trabalho desenvolvido nos palcos e são preconceituosos com os atores de teatro.

O projeto foi idealizado e criado pelo diretor Luiz Rosa, tendo como perspectiva ampliar os horizontes teatrais, propondo utilizar uma linguagem cênica voltada para o público infantil. No início do projeto os atores e parceiros da companhia eram outros, jovens estudantes que juntamente com o diretor concluíam o curso de Artes Cênicas.

Em Nova Alvorada do Sul o trabalho de Luiz Rosa iniciou muito antes do nascimento da companhia teatral, o diretor cresceu no município e foi aqui o seu início com 13 anos de idade no palco, que hoje ensina seus alunos. Viajou para diversos lugares, buscando especialização, formado em artes cênicas ele trouxe o projeto para o município, pois acredita que assim como ele, existem outros atores amantes do teatro.

Arquivo Pesoal Arquivo Pesoal

“Eu sempre quis mostrar para as pessoas que eu sou capaz, que eu sai de um lugar que não tem nada para ir para São Paulo fiquei dez anos lá, entrei em boas companhias, ganhei bolsa integral na Escola de Artes Cênicas Celia Helena, saindo daqui. Várias coisas me ajudaram, me estimularam. E hoje meu trabalho é aqui com eles, para que eles possam ser estimulados”

— Relatou o diretor e criador da Companhia Teatral Laranja Lima

 

A equipe juvenil da companhia já participava do mundo do teatro em disciplinas da escola, porém com a chegada do diretor com aulas de teatro, vários deles o procurou para buscar conhecimento e introduzi-los nas peças que já atuavam, despertando no diretor Luiz Rosa a vontade de ter uma nova experiência junto desses alunos. "No teatro você pesquisa, aprende coisas novas, passa por muitas descobertas". – Afirma Gabriela Vieira, atriz juvenil da Cia Laranja Lima.

Hoje eles já possuem uma familiaridade com o palco, com o diretor e também entre os colegas atores. É nítido em cada olhar o amor ao recordar fatos que aconteceram dentro do palco. Cada um conta como aprendeu a lidar com o nervosismo, com o trabalho em equipe, para auxiliar os parceiros em um erro cometido. E também como funciona a arte do improviso. "Hoje se a gente precisar subir no palco e fazer uma cena de improviso, a gente já consegue, porque já conhece e entende o olhar do outro, nós já somos uma família, porque quando bate um desespero, alguém erra, você pode olhar pro outro e ele já te ajuda". Relata Amabile, que conta estar feliz com o projeto e que quer mostrar a todos ao seu redor o que é o teatro e mudar a forma com que a população vê esse trabalho.

Dia de ensaio da companhia. Dia de ensaio da companhia.

"A gente já conhece o olhar um do outro, mesmo com pouco tempo junto já dá pra perceber que você cria um afeto com o seu colega, nós nos entendemos no palco". – Completou Alê Ferreira, sobre o companheirismo que une a equipe. "E quando chega uma pessoa nova, mesmo que seja diferente logo de cara, a gente consegue encaixar ela e todos já se familiarizam". – Ressaltou a atriz.

As experiências vividas pelos jovens são lembradas com tom de orgulho, pois mesmo errando, vivenciando o nervosismo de atuar, enfrentam isso e aprendem, para aprimorar-se. "Eu passei por um momento desagradável, já apresentei pra bastante gente e foi na nossa seletiva para a final do FETRAN que isso aconteceu. Eu sempre tive muita facilidade, sempre decorei as coisas com facilidade, no dia comentei com um amigo, que estava confiante. Na hora que abriram as cortinas, tinham muitas pessoas, naquele momento em que eu estava indo para o meu lugar, olhei para o Matheus e disse ‘Esqueci tudo’, e foi de cara, logo a primeira fala e tudo parou. E o que faltou ali foi a experiência, eu não tive atitude de fazer um improviso. Agora, eu já aprendi muito eu faria tudo diferente, na peça deu tudo certo, acabou bem, porém faltou esse jogo rápido, para improvisar". – lembrou Gabriel Mesquita, ator juvenil da companhia que já participou de competições teatrais representando a escola em que estuda.

É importante ressaltar que a companhia produz peças com intuito de mostrar para seu público, fatos cotidianos através da interpretação teatral, a equipe procura sempre fazer as pessoas sorrirem e com isso transmitir uma mensagem de superação.

Encenação da peça Gigantes Encenação da peça Gigantes

O grupo atualmente está a peça Gigantes, que frisa fatos que acontecem diariamente com as pessoas "A peça fala sobre essas revoltas, frustrações, esses medos, indagações que a gente passa mesmo. Quem nunca foi humilhado, quem nunca sofreu ofensa de um amigo, quem nunca passou por coisas desgostosas na vida. As vezes nos sentimos grandes perante a alguém, outras vezes nos sentimos pequenos, a nossa vida tem essa oscilação e a gente está trabalhando isso. Trabalhar o teatro reflexivo, que leva a pessoa a pensar, a sair no fim do espetáculo, não só com um sorriso pela graça, mais por não ter entendido nada, ou por ter absorvido a mensagem". – Relatou o diretor da companhia, que procura mostrar em seus trabalhos formas reflexivas, dentro daquilo que a sociedade vive atualmente.

Entre diversos assuntos ao lado durante toda a tarde a Cia deixou a nossa equipe encantada no final. O sucesso almejado por esses jovens aprendiz que com muita garra, muito estudo e principalmente muito amor, os farão ir além dos seus limites e sonhos. Sucesso !!!

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