Campo Grande, Sexta-feira 26 de abril de 2019
19/01/2019 12h49 - Atualizado em 19/01/2019 12h49

14 anos após Lei que criou o "PRODEIS" Programa de Incentivos de Nova Alvorada do Sul, Polo Empresarial continua paralisado


Por Leandro Medina

Vista aérea do Polo Empresarial de Nova Alvorada do Sul. foto Correio do MS Vista aérea do Polo Empresarial de Nova Alvorada do Sul. foto Correio do MS

Após eleição de Bolsonaro, parte do mercado brasileiro foi bombardeado de notícias que vai desde a queda do dólar, bolsa de valores dispara, ativos brasileiros saltam uma verdadeira euforia financeira, voltou a dar esperança a mais de 14 milhões de desempregados.

Diferente dessa parte otimista do Brasil, Nova Alvorada do Sul em 2019 completara 14 anos de criação da LEI N.º 289/2005, DE 29 DE JUNHO DE 2005. Que criou o Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Econômico e Inclusão Social em Nova Alvorada do Sul – PRODEIS.

Lei essa que permite ao Executivo Municipal, promover o desenvolvimento econômico, social, turístico, cultural e tecnológico do Município, através de incentivos à instalação de empresas industriais, comerciais ou de prestação de serviços, com vistas à diversificação da base produtiva e a ampliação da oferta de trabalho, além de estimular o adensamento das cadeias produtivas, pela transformação de produtos primários e recursos naturais existentes no Município;

Em 14 anos muitas promessas de geração de emprego, foram apresentadas, mas na pratica pouca coisa mudou desde então. Nova Alvorada do Sul chegou a atingir níveis de crescimento populacional impressionante, mas a falta de gestão e planejamento fez com que essa posição de destaque se perdesse ao logo do tempo.

Um produtor rural faz uma reflexão que muito nos chama a atenção;

Vi com tristeza, embora sem nenhuma surpresa esta semana a notícia de que o grupo que controla a usina do nosso município, está oferecendo o controle das usinas aos bancos credores. Então fiquei pensando quando é que Nova Alvorada do Sul vai encontrar a sua matriz econômica, até quando vamos ficar vivendo sobressaltos e de ilusões. Até quando vamos ficar sonhando com instalação de Brasken, de Poliaves, ou sei lá o que? Já temos duas usinas quebradas em nosso município, mas continuamos achando que o nosso caminho é o etanol. O carro elétrico está ai chegando, mas continuamos acreditando que por algum milagre o motor a combustão interna, usando etanol vai sobreviver. Eu nasci aqui, e gostaria muito que nosso município encontrasse um caminho mais sólido e duradouro, e comparticipação maior das pessoas. Acredito piamente que nosso potencial está na produção de alimentos para um mundo cada dia mais populoso. Temos 400 mil ha de terras, plana e férteis, com boa precipitação pluviométrica, temos uma potencial hídrico para irrigação e piscicultura de rios e córregos como muito poucos municípios neste país; não temos furação, neve, ou qualquer intempéries climáticas; e ainda somos servido com uma malha rodoviária fantástica, talvez a única do estado. Cito como exemplo para reflexão, o nosso estado (MS) sempre importou e continua importando de outros estados quase todas as frutas e verduras que consome. Será que NAS não poderia pegar uma fatia deste mercado? Por um outro lado, não fazemos o nosso dever de casa, e vamos colhendo cada vez mais prejuízos, cito como exemplo, a CooperAlfa que já está em nosso município, e que tem intenção de instalar um matrizeiro de leitões no estado, poderia ser um começo, porem eu duvido que eles venham para cá com este mosqueiro da vinhaça que temos aqui, pois estas moscas atacam duramente os suínos, já poderíamos ter resolvido este problema das moscas a muito tempo, que além de acabar com a nossa produção leiteira, pode agora está afugentando o matrizeiro da CooperAlfa, mas nada fazemos. Para agravar ainda mais, segundo denúncia do Ministério Público, temos uma contaminação das águas com resíduos de vinhaça, ou seja temos um passivo ambiental, eu pergunto: Qual empresário vai instalar-se aqui com um passivo ambiental destes? E o que nos do município estamos fazendo para defender as nossas águas? Penso que nos que somos daqui, enquanto pensarmos assim, e se não regaçarmos as mangas da camisa e irmos a luta por um município melhor, ninguém vira aqui para fazer por nós. Temos que começar votando em pessoas certas, e cobrar depois, mas também temos de fazer a nossa parte, e não só esperar que o poder público venha fazer. Enquanto pensarmos pequenos, e não diversificarmos nossa produção, não cuidarmos dos nossos recursos naturais, e também pararmos de pensar somente em nosso umbigo; seremos um município pequeno e ficaremos dependente de um único negócio, como somos hoje dependentes da fábrica de etanol. Se eles derem um espirro ficamos gripado, se eles pegarem gripe, já estamos na UTI.



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