Campo Grande, Sexta-feira 19 de abril de 2019
17/12/2015 07h59 - Atualizado em 17/12/2015 07h59

Cerveró diz ter angariado propina para Delcídio, Renan e Jader

Delator afirmou que se manteve na Petrobras por proximidade com políticos.

Delcídio teria recebido propina nos governos FHC e Lula, diz ex-diretor.


Por Marcelo Rocha e Samuel Nunes Da RPC

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse em depoimento aos procuradores que investigam os desvios de dinheiro da Petrobras que intermediou o pagamento de propina aos senadores Renan Calheiros (PMDB), Jader Barbalho (PMDB) e Delcídio do Amaral (PT). A declaração foi feita na delação premiada que o ex-executivo da estatal negociou com a Procuradoria Geral da República (PGR), em troca de redução de penas nos processos a que responde na Operação Lava Jato. Cerveró disse que se comprometeu a repassar US$ 2,5 milhões ao senador Delcídio do Amaral, por diversos contratos firmados na área internacional da Petrobras. Ele também afirmou que ajudou a destinar US$ 6 milhões de propina para Renan Calheiros e Jader Barbalho. Entre os contratos suspeitos está a construção de navios-sonda e a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Proximidade com políticos Cerveró disse que mantinha proximidade com Delcídio desde quando o senador trabalhava na Petrobras. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Delcídio chegou a ocupar a diretoria de Gás e Energia. Segundo o delator, o senador recebeu propina em pelo menos dois contratos firmados entre multinacionais e a estatal brasileira. O ex-diretor da Petrobras disse que em uma das oportunidades recebeu entre US$ 600 mil e US$ 700 mil de propina. Ele acredita que Delcídio tenha recebido uma propina maior, já que era superior hierárquico na diretoria de Gás e Energia. A proximidade entre os dois permaneceu com a eleição de Delcídio para o Senado e com a ascensão de Lula à presidência. Segundo Cerveró, em 2006 o senador o procurou para lhe ajudar a angariar US$ 2,5 milhões de propina. O valor seria usado para a campanha de Delcídio o governo de Mato Grosso do Sul. O delator não diz se fez o repasse ao senador, mas garante que foi ele quem lhe ajudou a chegar ao cargo de diretor da Petrobras. Meses depois, Cerveró disse que foi procurado pelo então ministro Silas Rondeau, que ocupava a pasta de Minas e Energia. O político lhe afirmou que o PMDB estava garantindo a permanência dele no cargo. Para que isso se mantivesse, ele deveria contribuir com o partido. Em um jantar na casa de Jader Barbalho, Cerveró teria assumido o compromisso de repassar US$ 6 milhões para o PMDB, com a contratação de dois navios-sonda pela estatal. Na ocasião, o também senador Renan Calheiros estava presente. Segundo o delator, o dinheiro chegou a ser repassado e ajudou o partido na campanha de 2006. No depoimento, Cerveró diz que em 2007 o cargo ficou ameaçado por manobras políticas de membros do PMDB para destitui-lo. Após procurar Rondeau, Jader e Renan, obteve apenas negativas, pois todos estavam politicamente fragilizados, em virtude de escândalos de corrupção envolvendo os nomes deles. Ao receber a notícia da exoneração, feita pessoalmente pelo então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ainda em 2007, disse que ele seria indicado para a diretoria financeira da BR Distribuidora – uma subsidiária da Petrobras –, em virtude do reconhecimento dos esforços para ajudar a angariar os recursos que o PMDB. Cerveró comandou a diretoria até 2014, quando a presidente Dilma Rousseff o exonerou, devido às descobertas de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena

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