Campo Grande, Sexta-feira 19 de abril de 2019

Operação Lava Jato

14/12/2015 08h38 - Atualizado em 14/12/2015 08h38

José Bumlai presta depoimento pela 2ª vez após ser preso pela Lava Jato


Por Adriana Justi

Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters) Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

O pecuarista José Carlos Marques Bumlai, que foi preso na 21ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada no dia 24 de novembro, deve prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (14) a partir das 14h. O interrogatório, que será exclusivo aos delegados da corporação, tem como pauta principal a motivação da prisão do pecuarista. Um dos assuntos será a suspeita de fechamento de um contrato sem licitação com a Petrobras, no valor de R$ 1,3 bilhão, para a operação de um navio-sonda operado pela Schahin Engenharia, ainda de acordo com a corporação. Bumlai está detido na carceragem da Superintendência da PF em Curitiba e esta é a segunda vez que ele presta depoimento desde que foi preso. A primeira vez foi no dia 30 de novembro e, além dos delegados da PF, Bumlai também foi questionado por representantes do Ministério Público Federal (MPF). De acordo com a PF, há vários indícios de que ele tenha faltado com a verdade neste depoimento. Na sexta-feira (11), a PF apresentou o indiciamento preliminar do pecuarista. Há indícios de que ele tenha cometido os crimes de corrupção passiva e gestão fraudulenta, de acordo com a polícia. A PF diz que Bumlai fez um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao Banco Schahin que nunca foi pago. Em troca disso, o grupo Schahin conseguiu um contrato sem licitação no valor de R$ 1,3 bilhão. O financiamento teria sido usado para quitar dívidas do Partido dos Trabalhadores, segundo a PF. O pecuarista e o grupo Schahin negam as acusações. No depoimento prestado aos delegados da PF, Bumlai negou ter proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Outro ponto que merece ser reforçado é que, ao contrário do que sustentou José Carlos Costa marques Bumlai, alguns documentos apreendidos reforçam que ele e Luiz Inácio Lula da Silva mantinham sim relação de amizade muito próxima”, diz trecho do indiciamento, citando fotos e convites oficiais em nome do pecuarista. Da mesma forma, a PF lembra que Bumlai afirmou não ter qualquer ligação entre ele e os filhos com o Partido dos Trabalhadores. “(...) No entanto, foi apreendido em seu escritório comercial em Campo Grande;MS documento em que Maurício de Barros Bumlai solicita sua desfiliação da referida agremiação política em 05.02.2014”, diz trecho do documento, com uma cópia do pedido do filho de Bumlai. No documento, Maurício Bumlai escreve: “Eu, Maurício de Barros Bumlai venho por meio desta pedir o meu desligamento do Partido dos Trabalhadores”. Com o indiciamento, o Ministério Público Federal (MPF) poderá preparar uma peça acusatória, ou seja, o início de um processo judicial contra o pecuarista. A procuradoria marcou uma entrevista coletiva com a imprensa para esta segunda, informando que deverá apresentar uma nova denúncia no âmbito da Operação Lava Jato. No entanto, ainda não foi confirmada se a denúncia seria sobre Bumlai ou não.

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