Campo Grande, Quinta-feira 24 de janeiro de 2019
04/01/2019 17h38 - Atualizado em 04/01/2019 17h38

Em Campo Grande, 80% das araras monitoradas fugiram após queima de fogos da virada

De acordo com o Instituto Arara Azul, cerca de 480 aves ainda não retornaram para o perímetro urbano de Campo Grande. Atualmente 600 araras são monitoradas.

Por Flávio Dias, G1MS — Campo Grande

Araras canindé em Campo Grande — Foto: Felipe Bastos/G1 MS Araras canindé em Campo Grande — Foto: Felipe Bastos/G1 MS

Quem anda pelas ruas de Campo Grande já deve ter notado a falta das araras-canindé, que antes da queima de fogos do réveillon, eram facilmente encontradas pela cidade. De acordo com o Instituto Arara Azul, responsável pelo monitoramento das aves na região, cerca de 600 delas ‘fugiram’ da capital em busca de áreas tranquilas, incomodadas com os fogos de artifícios.

Há quatro dias, 420 araras ainda não retornaram, o que representa 80% das aves monitoradas em Campo Grande. Segundo a presidente do Instituto Arara Azul e doutora em meio ambiente, Neiva Guedes, as araras têm uma audição bem desenvolvida e outros animais que vivem no perímetro urbano, também podem ter sido prejudicados pelo barulho dos fogos.

De acordo com o instituto, em 2018, 180 ninhos das araras foram monitorados. Fora contabilizados 150 nascimentos e a atualmente, a maioria dos filhotes já voaram.

Internautas de Campo Grande ficam impressionados com a beleza das araras — Foto: Waldirene Faquetti/VC no G1 MS Internautas de Campo Grande ficam impressionados com a beleza das araras — Foto: Waldirene Faquetti/VC no G1 MS

Segundo Neiva, no dia 2 de janeiro deste ano, foram monitorados 21 filhotes e neste mesmo dia, os pesquisadores percorreram toda a cidade conseguiram observar apenas 6 aves do período da manhã até o escurecer. Em dias normais, cerca de 40 animais poderiam ser vistos na capital.

A especialista ainda explica que um grupo de pesquisadores observaram desde a virada de 2018 e notaram a diminuição das aves na região de Campo Grande nesse período em que é mais comuma queima de fogos. Ela ainda ressalta que a volta desses animais deve ser gradativa, ainda nos próximos dias.

Preservação

O projeto Arara Azul começou em 1989 no Pantanal, onde atualmente 108 ninhos de arara-azul são monitorados, principalmente, durante o período de reprodução, que vai até março. Neiva ressalta que o projeto recebe ajuda de voluntários e moradores que percebem a importância de preservar a natureza e os animais, e também orienta em casos de nascimento de filhotes em casas de moradores.

Para informações, o Instituto Arara Azul atende pelo telefone (67) 3222-1205, pelo site ou pela página no facebook.

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