Campo Grande, Quinta-feira 23 de maio de 2019
06/05/2014 16h47 - Atualizado em 06/05/2014 16h47

Afastada da TV, Priscila Fantin dispara: "Minha família é minha prioridade"

Há quatro anos longe das novelas, atriz estrela o filme 'Jogo de Xadrez' e se prepara para estrear a comédia 'A Besta' nos palcos. Ela explica por que decidiu se recolher e conta que encontrou o equilíbrio com o marido, o ator Renan Abreu, e o filho, Romeo

Por: Administrador
 

Esqueça as mocinhas românticas que fizeram de Priscila Fantin uma das principais estrelas da TV. No filme Jogo de Xadrez, atualmente em cartaz, a atriz de 31 anos deixa a vaidade de lado para viver Mina, presidiária que desenvolve seu lado mais bruto para sobreviver à violência de outras detentas. “Sentia uma necessidade enorme de ter trabalhos mais desafiadores”, diz a atriz, que se prepara também para estrear, em maio, em São Paulo, a peça A Besta.

Com exceção de uma pequena participação em Malhação, no começo do ano, Priscila está afastada das novelas desde 2010, quando estrelou Tempos Modernos. Convites não faltaram, mas, depois de dez anos emendando trabalhos, a atriz achou que era hora de dar um tempo e cuidar da vida pessoal. Decidiu, então, voltar suas atenções para o marido, o ator Renan Abreu, e o filho, Romeo, de 2 anos e 8 meses, e não se arrepende. “Estou feliz e realizada”, afirma ela. A seguir, Priscila fala sobre o processo de autoconhecimento pelo qual passou, conta como a maternidade mudou sua vida e diz que a imprensa criou uma imagem injusta de Renan, com quem ela teria protagonizado brigas públicas.

QUEM: Em Jogo de Xadrez, você vive uma presidiária, algo totalmente diferente do que já fez na sua carreira. Era uma vontade sua? PRISCILA FANTIN: Era. Esse foi meu primeiro trabalho depois de ter tido meu filho, há dois anos e oito meses. Estava com muita vontade de voltar a trabalhar, mas, antes mesmo da gravidez, sentia uma necessidade enorme de ter trabalhos mais desafiadores, visitar lugares psicológicos que nunca tinha visitado com personagens...

Senti, depois de um tempo, uma defasagem absurda. Tinha conquistado muita coisa profissionalmente, mas emocionalmente tinha parado nos 16 anos, precisava de histórias para viver

— Priscila Fantin

QUEM: Como se preparou para esse papel? PF: Sou CDF nos meus trabalhos, me entrego, me dou. Quando recebi o convite do Luís Antônio Pereira, fui, entre outras coisas, fazer entrevistas com presidiárias do Talavera Bruce, que é um presídio-modelo no Rio. Vi como as mulheres vivem, conversei com as mais perigosas. Era engraçado, várias me chamavam de Serena, a protagonista da novela Alma Gêmea. Era um respiro para elas.

QUEM: Você está afastada das novelas há um bom tempo. Por quê? PF: Desde que comecei, em 1999, quase todos os papéis que fiz foram de destaque. Dos 16 aos 26 anos, trabalhei muito, foram dez anos em que abdiquei de todo o resto para trabalhar. Era uma novela atrás da outra. Não tinha tempo de me cuidar, de fazer nada por mim. Senti, depois de um tempo, uma defasagem absurda. Tinha conquistado muita coisa profissionalmente, mas emocionalmente tinha parado nos 16 anos, precisava de histórias para viver.

QUEM: Quando se deu conta de que precisava parar? PF: Quando estava fazendo Tempos Modernos. Foi uma novela problemática, que reforçava a sensação que eu tinha de não estar fazendo um trabalho totalmente artístico, era mais industrial. Quando a novela não vai bem, a gente sente nos bastidores. Num determinado momento, parei, olhei para os lados e percebi algo muito estranho.

QUEM: O que exatamente? PF: Vi efervescer o culto à celebridade. São pessoas que têm o peito, a bunda, o cabelo que as outras querem ver. Hoje, todo mundo tem rede social e faz da sua vida uma novela, elas querem ter seguidores. Isso tudo me assustou. Estava no meio de um furacão. A Priscila Fantin naquele momento era uma mulher chique, linda, bem-comportada e bem-sucedida, mas aquilo não correspondia ao que eu sentia. Era uma imagem distante da minha essência. Eu precisava entender isso.

QUEM: Qual foi o caminho para entender o que estava acontecendo? PF: Comecei a fazer terapia em 2010 e fui viver minha vida. Sempre quis morar em casa, com o pé no chão. Em 2009, achei a casa que queria, daí, veio meu filho, meu casamento, comecei a fazer a reforma para ter a casa dos sonhos. Fiquei superatarefada de coisas pessoais, e era o que eu precisava: olhar para meu lado pessoal. Foi esse o tempo do recolhimento.

QUEM: Nesse tempo, recebeu convites para voltar à TV? PF: Depois de Tempos Modernos, recebi um convite do Walcyr Carrasco para fazer Morde & Assopra, era o papel da Vanessa Giácomo. Era uma personagem parecida com a que eu tinha feito em Chocolate com Pimenta, Sete Pecados e Tempos Modernos. Como já estava nessa crise, querendo entender a razão da minha arte, pedi para ler a sinopse e achei melhor não fazer.

QUEM: Walcyr Carrasco ficou chateado com sua negativa? PF: Ele ficou um pouco, mas não teve briga. Ele sabe que eu o admiro e que sou muito grata a ele. Serena, de Alma Gêmea, foi um dos meus grandes papéis, tivemos uma parceria de muito tempo. Acho que ele entendeu a necessidade que eu tinha. Ele queria que eu tivesse aceitado, ficou chateado de eu não fazer parte do time. Mas eu, infelizmente, não ia dar um bom material para ele. Do jeito que eu estava, não ia dar um bom material para ninguém.

QUEM: Você é de uma geração que surgiu na TV. Não tem medo desse afastamento, de não ter mais convites? PF: Não. Era um chamado interno muito forte. Se culminasse nisso, tudo bem. Eu não estaria bem da cabeça se tivesse continuado do jeito que estava. Hoje, sou feliz e realizada, porque tenho minha casa, meu filho e meu marido, tenho vida pessoal.

QUEM: Comenta-se muito das brigas que você teria com o Renan. Isso a atinge? PF: Atinge, óbvio. Porque não sou só eu que leio, minha família inteira, que está longe de mim, não sabe se é verdade o que eles estão lendo. Olho para o meu círculo menor e vejo se está tudo bem, mas fico tentando entender o que aconteceu, qual foi o fato inicial que deu asa a histórias que não são verdadeiras.

QUEM: De que história você está falando especificamente? PF: No fim do ano passado, aconteceu uma história pessoal chata. Minha obra estava terminando, eu estava produzindo uma peça, atarefada, tive uma crise de estresse. Em uma semana, tinha ido à terapeuta todos os dias. Estava chegando com a respiração ofegante, fiquei nervosa e o Renan estacionou o carro e me abraçou forte, pedindo para eu ter calma. Não teve discussão, a gente não saiu do carro, não teve polícia, nada, mas publicaram que ele teria tentado me enforcar. Você puxa o nome do Renan na internet, só vem coisa ruim. Ele tem uma imagem muito feia, suja e que não é real.

QUEM: O que a maternidade mudou em você? PF: Mudaram as prioridades. Arraigou mais ainda a minha essência mais humana, só me fez me dar mais valor às coisas simples. Minha família é minha prioridade e ponto final.

QUEM: Você voltou à forma rápido. O que fez para emagrecer? PF: Tenho uma genética muito boa. Além disso, minha mãe sempre foi naturalista, tive uma educação alimentar muito boa, sempre comi alimentos integrais, nada de fritura, não passo um dia sem salada e acho um crime colocar açúcar no chá. Carne vermelha eu conheci com 11 anos, mas não tinha hábito. Apesar disso, não sou bitolada, como doces, pizza. Nos meus dias de TPM, como chocolate por uma semana inteira.

QUEM: Também malha? PF: Não posso fazer academia senão fico muito musculosa. Mas sou muito ativa no que faço. Se vou arrumar uma estante de livros, faço aquilo tão intensamente que vai parecer um esporte. Fora isso, gosto de correr, de patins, de andar de bicicleta. Em média, duas vezes por semana faço algum esporte.

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