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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Em cirurgia inédita, menino com 60% do corpo queimado faz transplante de pele na Santa Casa

A cirurgia, considerada de alta complexidade, utilizou pele vinda do Paraná e salvou a criança de 11 anos

Um menino de 11 anos, internado na Santa Casa de Campo Grande com 60% do corpo queimado, recebeu transplante de pele inédito. A cirurgia, considerada de alta complexidade, utilizou tecido vindo de um banco de pele do Paraná e salvou a criança, segundo o hospital.

Em termos técnicos, a operação realizou um enxerto de pele alógena no paciente no dia 18 de setembro. Isso quer dizer que, como as queimaduras atingiam 60% da superfície corporal, era impossível utilizar a própria pele do garoto para cobrir as lesões, enquanto ele estava internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo).

Dessa forma, a equipe médica da Santa Casa optou por utilizar tecidos doados para estabilizar o quadro clínico do menino de 11 anos. O procedimento ajuda a reduzir perdas de sangue, líquidos e eletrólitos, além de diminuir a dor e o risco de infecções.

“O objetivo é preparar o organismo para, futuramente, receber enxertos da própria pele do paciente nas áreas mais comprometidas”, explica a médica cirurgiã plástica Renata Ferro. Também participaram equipes de enfermagem, de cirurgia, do setor de queimados, do CTI pediátrico e de anestesiologia.

Estagiários e residentes acompanharam o procedimento, que é considerado um marco para a medicina de Mato Grosso do Sul. O enxerto de pele alógena é indicado em casos de queimaduras extensas de terceiro grau, quando não há pele suficiente do próprio paciente.

Relembre

O adolescente de 11 anos teve queimaduras de terceiro grau e precisou ser entubado na tarde do dia 4 de agosto. O caso aconteceu durante uma brincadeira na casa de outro adolescente, de 12 anos, na Vila Popular.

A vítima teria dado a ideia de brincar com álcool e colocar fogo em uma pedra. Em seguida, teria segurado a pedra enquanto o amigo despejava o álcool. Quando ele se aproximou com o isqueiro, as chamas atingiram rapidamente o galão, e o fogo se projetou em direção à vítima.

Ainda conforme o amigo da vítima, ele ligou o chuveiro para tentar apagar as chamas, mas o fogo não foi extinto completamente. Segundo ele, o fornecimento de água ainda teria sido interrompido por conta do poço artesiano existente na residência.

O adolescente de 12 anos chegou a ser internado na Unei (Unidade Educacional de Internação), mas a Justiça autorizou a desinternação 12 dias depois. O advogado dele afirma que o garoto não teve intenção de atear fogo no amigo e que houve um acidente no momento em que ambos brincavam com álcool e fogo.

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