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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Bastidores de 2028: eleição de 2026 redesenha o mapa político de Nova Alvorada do Sul

Urnas revelam diferentes centros de influência e colocam nomes do Executivo, Legislativo, setor empresarial e grupos políticos no radar da sucessão municipal

As eleições de 2026 deixaram em Nova Alvorada do Sul um resultado que vai além da relação entre candidatos eleitos e derrotados. A votação do último domingo mostrou a força de diferentes lideranças, revelou bases eleitorais próprias e acrescentou novos elementos às conversas políticas que, embora ainda distantes de uma eleição municipal, já têm 2028 como horizonte.

Com 16.244 eleitores aptos e 10.655 comparecimentos no primeiro turno, o município apresentou uma disputa marcada pela presença de diferentes grupos e lideranças. Para deputado estadual, por exemplo, Zé Teixeira recebeu 1.711 votos, seguido por Andréa Fim, com 1.656, Jamilson Name, com 927, Zeca do PT, com 436, Pedrossian Neto, com 390, e Londres Machado, com 375. Para deputado federal, Rodolfo Nogueira liderou no município com 988 votos, seguido por Camila Jara, com 934, Beto Pereira, com 881, e Dr. Luiz Ovando, com 827.

O resultado não permite antecipar automaticamente uma eleição municipal. Mas oferece um retrato interessante sobre capacidade de mobilização, presença política e formação de grupos.

Paleari mantém sua base, mas o desafio agora é a sucessão

O prefeito José Paulo Paleari chega ao novo ciclo político respaldado por uma estrutura construída ao longo dos últimos anos. Na eleição de 2026, seu grupo conseguiu 1.711 votos para Zé Teixeira, deputado estadual que mantém uma relação política próxima com o prefeito.

O número demonstra a permanência de uma base eleitoral organizada, mas também coloca Paleari diante de uma questão que costuma ser mais complexa do que vencer uma eleição: construir a sucessão.

Após dois mandatos, a discussão deixa de ser sobre uma eventual candidatura própria e passa necessariamente pela capacidade do grupo de apresentar um nome que consiga reunir diferentes setores e manter parte do capital político construído pela atual administração.

A votação de 2026 também mostrou que o eleitorado municipal não se comportou de maneira uniforme. A diferença entre as votações dos candidatos apoiados por diferentes lideranças indica que as estruturas políticas municipais continuam importantes, mas não controlam sozinhas o voto.

Israel Gomes amplia espaço no tabuleiro

Outro nome que ganhou atenção nos bastidores é o do presidente da Câmara, Israel Gomes.

Reeleito vereador em 2024 com 607 votos, Israel participou das eleições de 2026 apoiando candidaturas diferentes e registrou 827 votos para deputado federal, enquanto Londres Machado recebeu 375 votos para deputado estadual em sua base de apoio.

Mais do que os números, o vereador vem ocupando espaço institucional como presidente do Legislativo e participando de articulações entre Câmara, Executivo e diferentes setores da sociedade.

Em política municipal, a presidência da Câmara tem peso próprio. Caso se confirme sua permanência no comando do Legislativo, Israel poderá continuar ocupando uma posição estratégica nas conversas sobre alianças, composição de grupos e definição de caminhos para 2028.

A questão central será saber se essa presença institucional se transformará, nos próximos dois anos, em um projeto político próprio ou em uma posição de articulação dentro de uma composição mais ampla.

O vereador Nélio Justen também vem trabalhando para ampliar sua presença política no município. Eleito em 2024 com 432 votos, Nélio ocupa atualmente a 1ª Secretaria da Câmara e tem buscado construir uma atuação com articulação institucional e iniciativas voltadas ao município. Entre as ações recentes está a articulação de uma parceria com a UEMS e a participação na realização do programa MS Cidadão, que levou mais de 2 mil atendimentos à população.

Nos bastidores, Nélio também aparece entre os nomes que avaliam ampliar seu espaço político, embora qualquer projeto eleitoral para 2028 ainda dependa da construção de alianças e das decisões que serão tomadas ao longo dos próximos dois anos.

Outro nome que merece atenção é o do vice-prefeito Valdemar Rocha. Empresário, eleito em 2024 na chapa de Paleari, Rocha assumiu a vice-prefeitura após uma composição que se consolidou durante o processo eleitoral daquele ano. A chapa foi eleita com 73,15% dos votos válidos, e Valdemar passou a integrar o Executivo municipal no mandato 2025–2028.

Com presença dentro da estrutura do Executivo e experiência adquirida ao longo do atual mandato, Valdemar também é citado nas conversas políticas como alguém que pode avaliar um projeto próprio para a Prefeitura em 2028. Ainda não há, contudo, uma definição pública de candidatura. Seu eventual movimento poderá ganhar relevância à medida que se aproximar o período de definição das alianças e dos grupos que disputarão o próximo ciclo municipal.

Andréa Fim mostrou força eleitoral

A vereadora Andréa Fim foi um dos principais destaques da eleição municipal de 2026.

Ao disputar uma vaga de deputada estadual, alcançou 1.656 votos em Nova Alvorada do Sul, apenas 55 votos atrás de Zé Teixeira, que liderou a votação municipal para o cargo.

O resultado tem significado político porque Andréa não apenas participou da eleição: testou diretamente seu próprio nome diante do eleitorado.

A votação cria um novo ativo para a vereadora nas conversas futuras. Ao mesmo tempo, uma eventual candidatura majoritária dependeria da construção de alianças, ampliação de base e definição de um grupo político capaz de sustentar o projeto.

Por enquanto, o dado concreto é a votação expressiva obtida no município.

Aline Mesquita permanece no radar

A ex-secretária municipal de Saúde Aline Mesquita também aparece nas conversas políticas.

Com experiência administrativa e atuação na campanha de Jamilson Name, que recebeu 927 votos para deputado estadual em Nova Alvorada do Sul, Aline mantém presença no cenário político local.

Seu nome representa outro perfil dentro da possível sucessão: alguém com experiência na administração pública e trânsito político construído a partir da gestão e de relações partidárias.

Assim como os demais nomes, ainda não há definição de candidatura. O que existe é movimentação política e espaço para construção.

Márcio Verrunes: o empresário que entrou no radar

Fora da estrutura tradicional de mandatos eletivos, um nome que passou a circular nas conversas políticas é o do empresário Márcio Verrunes, ligado ao setor sucroenergético e presidente da Sulcanas.

Verrunes ganhou projeção regional principalmente pela condução da Expocanas, evento que se consolidou como uma vitrine do setor bioenergético e que tem ampliado sua articulação com empresas, produtores, entidades e autoridades. A própria feira registra em sua comunicação oficial a expansão do evento e sua conexão com o setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul.

Reportagens também destacam a atuação de Verrunes na articulação institucional da Expocanas e sua relação com diferentes setores públicos e privados.

Nos bastidores, seu nome vem sendo mencionado como uma possibilidade para uma eventual disputa pelo Executivo em 2028. Não há, até o momento, candidatura oficial anunciada. Informações sobre convites políticos e possíveis alianças devem ser tratadas como articulações de bastidor até que sejam formalmente confirmadas pelos envolvidos.

O eventual ingresso de um empresário sem mandato eletivo acrescentaria uma variável diferente à disputa: a possibilidade de formação de um grupo reunindo setor produtivo, lideranças políticas e relações institucionais estaduais.

O fator estadual

Outro dado que chama atenção é a votação de Eduardo Riedel, que recebeu 6.827 votos para governador em Nova Alvorada do Sul, equivalentes a 72,20% dos votos válidos.

O resultado demonstra que a relação entre política municipal e estadual será um componente relevante nas articulações futuras, especialmente em uma cidade com forte presença do agronegócio e do setor sucroenergético.

A Expocanas, por exemplo, já recebeu o governador em sua abertura e reúne representantes do setor produtivo, empresas e autoridades estaduais.

2028 ainda está longe — mas o movimento já começou

É importante separar votação estadual de eleição municipal.

Os 1.656 votos de Andréa Fim, os 1.711 de Zé Teixeira ou os 927 de Jamilson Name não representam, automaticamente, votos transferíveis para uma futura candidatura à Prefeitura. Da mesma forma, a votação de candidatos apoiados por Israel Gomes ou por outros grupos não pode ser interpretada isoladamente como uma medição definitiva de força para 2028.

O que a eleição oferece são pistas sobre estruturas, relações e capacidade de mobilização.

E, nesse aspecto, Nova Alvorada do Sul apresenta hoje um cenário mais pulverizado.

De um lado, Paleari trabalha para preservar a força de seu grupo e construir uma sucessão.

No Legislativo, Israel Gomes amplia seu espaço de articulação.

Andréa Fim colocou seu próprio nome à prova e obteve uma votação expressiva.

Aline Mesquita permanece vinculada ao debate político e administrativo.

E, fora da política tradicional, Márcio Verrunes passa a ser citado em conversas sobre um possível projeto para o Executivo.

A verdadeira disputa será pela construção de alianças

Se existe uma certeza neste momento, é que 2028 ainda será construído.

Até lá, novos nomes podem surgir, grupos podem se aproximar, alianças podem mudar e lideranças podem escolher caminhos diferentes.

A eleição de 2026 não definiu o próximo prefeito de Nova Alvorada do Sul. Mas deixou uma mensagem clara: a sucessão municipal já começa a ser discutida a partir de diferentes centros de influência.

Agora, o próximo capítulo será menos sobre números isolados e mais sobre a capacidade de cada grupo de construir diálogo, alianças e um projeto que encontre espaço diante de um eleitorado cada vez mais atento às opções colocadas à sua frente.

Com isso, o mapa político de Nova Alvorada do Sul passa a reunir nomes do Executivo, Legislativo, ex-integrantes da administração e setor empresarial, tornando a sucessão de 2028 um processo que deverá ser construído gradualmente.

Paleari, Israel Gomes, Andréa Fim, Aline Mesquita, Nélio Justen, Valdemar Rocha e Márcio Verrunes representam, neste momento, diferentes trajetórias e espaços de atuação. Isso não significa que todos serão candidatos — mas mostra que o debate sobre quem poderá ocupar o Executivo municipal já começou a ganhar novos personagens.

Em política, antes da definição das candidaturas, existe a fase das conversas, dos movimentos e das alianças. E, em Nova Alvorada do Sul, essa fase já está em andamento.

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