Depois de 15 anos atuando em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, a médica pediatra e neonatologista, Louise Caroline Zangari, viveu o outro lado da medicina, depois de ver a filha Marcela, de apenas 11 meses, lutar pela vida.
A pequena deu entrada no Hospital Unimed Campo Grande no dia 19 de setembro, em estado crítico, após se afogar em uma piscina. Antes, foi reanimada pela própria mãe e por um vizinho, também médico.
“Quando peguei a Marcela da piscina, ela estava ‘parada’, sem respirar. Então comecei a massagem cardíaca. Quando chegaram meu irmão, uma amiga e o esposo, que é médico também, continuamos. Depois de oito minutos, meu vizinho falou: ‘Ela voltou, ela tem batimento cardíaco’. Ali eu ouvi a voz de Deus dizendo que seria difícil, mas que tudo ficaria bem”, conta Louise.
Acostumada a lidar com situações delicadas envolvendo bebês e recém-nascidos, Louise precisou, naquele momento, ocupar um outro lugar: o de mãe de uma criança internada em estado grave. Os dias na UTI Pediátrica foram de angústia, mas também de muita fé. “Foram dias muito difíceis. Eu tentei, a todo momento, entregar toda a confiança à equipe que estava ali cuidando da Marcela, porque eu estava ali como mãe e sabia que todos estavam fazendo o melhor por ela”.
E foi na UTI que a angústia deu lugar à emoção, quando Marcela abriu os olhos e começou a se movimentar. “Quando a minha filha abriu os olhos ali na UTI e já começou a mexer os braços, olhar para todos os lados, foi uma alegria tão grande. Vi os médicos e toda a equipe emocionados, chorando, felizes, porque foi um grande milagre”, lembra a mãe, entre sorrisos e os olhos marejados.
Após 11 dias de internação e uma cirurgia neurológica, a pequena Marcela recebeu alta da UTI e deixou o setor nos braços da mãe, em um momento preparado pela equipe do Hospital Unimed Campo Grande. No corredor, balões, abraços e os três irmãos, de 8, 6 e 4 anos, que aguardavam ansiosos para ver a irmã.
O pai não pôde estar presente naquele momento, mas acompanhou de perto cada passo da recuperação, e agora celebra, ao lado da esposa e dos filhos, a vitória da caçula, que segue sendo cuidada no apartamento do hospital.
Ao tocar o “sino da vitória”, símbolo de esperança e superação vividos no hospital, Louise não conteve a emoção. Para ela, a trajetória da filha tem um significado que vai além do que consegue explicar. “A Marcela é um milagre, que contrariou as expectativas do que a gente sabe que é o ‘limite’ da medicina. Tenho certeza que Deus usou muito a equipe, os médicos, as pessoas que oraram por nós para que a nossa filha estivesse aqui, bem, saudável e sorridente”.

