Projeto da Tether utilizará bioenergia da usina da Adecoagro, em Ivinhema, para mineração industrial de Bitcoin a partir de junho.
A cana-de-açúcar, matéria-prima historicamente associada à produção de açúcar, etanol e bioenergia, está prestes a ganhar um novo papel em Mato Grosso do Sul: produzir Bitcoin. Em Ivinhema, a energia cogerada a partir da biomassa da usina da Adecoagro S.A. deverá abastecer, a partir de junho, um datacenter da Tether, uma das maiores empresas de ativos digitais do mundo, em um projeto que conecta agronegócio, bioenergia e mineração de criptomoedas.
Segundo apurado pelo Made in MS, foi construído um datacenter equipado com máquinas especializadas de alto desempenho, conhecidas como ASICs (Application-Specific Integrated Circuits), desenvolvidas exclusivamente para resolver os algoritmos complexos do Bitcoin e possibilitar a mineração em escala industrial.
Em Ivinhema, a Adecoagro possui potência outorgada de 120 MW para geração de energia, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Desse total, cerca de 10%, o equivalente a 12 MW, deverá ser destinado ao funcionamento do datacenter. A utilização dessa capacidade já havia sido citada pelo governador Eduardo Riedel ainda em 2025. Além da energia, a estrutura também utilizará água captada pela unidade industrial para auxiliar no resfriamento das máquinas de mineração.
A capacidade estimada da operação, conforme levantamento do Made in MS, é de produzir entre 0,3 e 0,4 Bitcoin por dia, o equivalente a aproximadamente um Bitcoin a cada três dias. Considerando a cotação da criptomoeda nesta sexta-feira (8), na faixa de US$ 80 mil por unidade, ou cerca de R$ 393 mil, o faturamento mensal pode alcançar aproximadamente US$ 800 mil, o equivalente a R$ 3,95 milhões, considerando uma produção de 10 Bitcoins por mês.
O projeto será operado por meio do Mining OS, sistema operacional desenvolvido pela Tether para gerenciar operações de mineração de Bitcoin em larga escala. A plataforma funciona como um centro de comando das chamadas fazendas de mineração, permitindo monitorar simultaneamente milhares de equipamentos, acompanhar consumo de energia, controlar temperatura e desempenho das máquinas, identificar falhas e administrar remotamente diferentes unidades operacionais, com foco em eficiência energética e otimização da produção de ativos digitais.
Quando as empresas anunciaram a assinatura de um memorando de entendimento sobre o projeto, em julho de 2025, a Adecoagro afirmou que reconhecia o Bitcoin como uma possível nova fonte de valor de longo prazo, comparável aos seus ativos agrícolas e energéticos. Na ocasião, a companhia também destacou que a parceria aproveitaria sinergias entre a experiência industrial e energética da Adecoagro e a atuação da Tether no mercado global de ativos digitais.
A entrada da Tether no negócio de bioenergia e mineração de criptomoedas em Mato Grosso do Sul ocorre após a empresa assumir o controle da Adecoagro em 2025. A companhia de ativos digitais ampliou sua participação acionária para cerca de 70% do capital da empresa agroindustrial, em uma operação bilionária que reforçou sua estratégia de expansão para áreas ligadas à energia renovável, infraestrutura e mineração de Bitcoin.
Procurada pelo Made in MS para comentar detalhes do projeto, a Adecoagro não se manifestou até a mais recente atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.


