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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Empresa de SP dá melhor lance e deve assumir loteria de MS

A empresa Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA saiu na frente na competição entre licitantes para assumir o comando das loterias de Mato Grosso do Sul, com uma proposta de repasse ao Governo do Estado de 43,36% da receita bruta. 

Isso quer dizer que, a cada R$ 100 milhões arrecadados, o Estado recebe R$ 43,36 milhões. O pregão foi suspenso para análise da proposta e o resultado será publicado no Diário Oficial do Estado.

As negociações foram abertas às 8h04, com um lance inicial de 15,80% de repasse. Logo em seguida, veio o lance de 24,33%, seguido pelo de 24,85%. As propostas seguiram até às 8h35, quando a Lottopro deu o maior lance, superando a última proposta de 36,11% de repasse. 

A estimativa é que o serviço deva render um faturamento anual de até R$ 1,4 milhão, apenas da estimativa da receita média anual constatada no edital ser de R$ 51,4 milhões. 

Isso porque, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. A fatia de 0,85%, portanto, significa uma receita de R$ 1,417 bilhão.

Neste ano, a estimativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) é ainda mais animadora: de que o PIB chegue a R$ 227,8 bilhões. Se isso ocorrer, o ganho chegará perto dos R$ 2 bilhões ao ano.

Atualmente, a Lotesul (Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul) administra e fiscaliza jogos e sorteios no Estado, sob comando da Secretaria de Fazenda (Sefaz/MS). 

A Lottopro tem sede em São Paulo e já comanda loterias nas cidades de Assunção do Piauí (PI), Patos do Piauí (PI), Tatuí (SP), Marcolândia do Piauí (PI), Muquém de São Francisco (BA), Teresópolis (RJ), Tutóia (MA) e Quijingue (BA). 

Novela
O leilão foi suspenso por duas vezes em 2025. Em março, o edital recebeu dois pedidos de impugnação, sendo um do empresário Jamil Name Filho, o Jamilzinho, preso em 2019, e outro da empresa Criativa Technology, de Dourados, pertencente ao deputado Neno Razuk. 

O político foi condenado a 15 anos e 7 meses de prisão por ser apontado como principal mandante de um grupo criminoso para tomar o controle do jogo do bicho em Campo Grande, com planos de expandir para outros estados. 

Em abril, o pregão chegou a ser aberto e recebeu três propostas, mas foi suspenso pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE/MS) por suspeita de direcionamento. 

Em agosto deste ano, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) concluiu que o edital violava “os princípios da legalidade, proporcionalidade, motivação e economicidade”, por meio de exigências e cláusulas desproporcionais.

Em setembro, a Sefaz anulou parcialmente o pregão eletrônico para novas adequações, retorno que foi anunciado no início de dezembro, com leilão marcado para o dia 15. Porém, novamente, a licitação foi suspensa por “inconsistências” no edital, segundo o conselheiro do TCE-MS, Márcio Monteiro.

No dia 15 de dezembro, o TCE-MS adiou, novamente, o pregão, após ser constatado que a família Razuk criou empresa falsa, que existe só “no papel”, para viabilizar a concorrência da organização criminosa no processo licitatório da Lotesul. 

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