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sábado, 17 de janeiro de 2026

Com acordo assinado, Brasil avança para criar subcomissão que vai discutir comércio com europeus

A conclusão da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, ocorrida neste sábado (17) em Assunção, Paraguai, levará à criação de uma subcomissão específica no Senado Federal para acompanhar a tramitação da matéria.

A medida foi anunciada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores do Congresso Nacional, e defende agilidade na análise técnica dos impactos do tratado para o setor produtivo nacional.

O parlamentar sul-mato-grossense informou que a subcomissão terá como foco a escuta organizada de setores econômicos e a construção de uma base para deliberação célere. De acordo com Trad, o objetivo é garantir que o país esteja preparado para o novo cenário de competitividade.

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“O Brasil precisa de um caminho claro: mais mercado, menos burocracia, mais previsibilidade e mais segurança para quem investe, exporta e gera emprego”, afirmou o senador.

Impactos econômicos para Mato Grosso do Sul

Conforme o senador de MS, a entrada em vigor do acordo tem reflexos diretos na balança comercial de Mato Grosso do Sul. Em nota encaminhada à imprensa, Nelsinho detalha que em 2025 o estado exportou o montante de US$ 1,3 bilhão para os países da União Europeia.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo setor de celulose, que movimentou US$ 627,8 milhões, seguido por farelos de soja e alimentos para animais, com US$ 311 milhões.

Produto Exportado (MS – 2025)Valor em Dólares (US$)
Celulose627,8 milhões
Farelo de soja / Alimentos animais311,0 milhões
Carne bovina126,2 milhões
Açúcares e melaços77,3 milhões

Atualmente, produtos como a celulose e o minério de ferro já operam com tarifa zero ou têm previsão de eliminação imediata.

Contudo, setores considerados sensíveis do agronegócio ainda enfrentam barreiras tarifárias elevadas, como a carne bovina, que possui tarifa média de 51,8%, e o açúcar, com 22%.

O novo acordo prevê a transição desses itens para o modelo de cotas tarifárias e desgravações graduais.

A senadora Tereza Cristina (PP), que também ocupa liderança da comissão de assuntos exteriores no Senado, já havia comentado o avanço das negociações do Mercosul com a União Europeia.

Nas redes sociais ela afirmou que “a aprovação do Acordo Mercosul-UE, após 25 anos, é um avanço importante”, e que “o acordo pode se ajustar e abrir perspectivas comerciais para o Brasil, e trazer alternativas para nossas exportações na atual conjuntura protecionista global”.

Ela relembrou que em 2019, esteve em Bruxelas na conclusão das negociações iniciais. “Não foi o acordo dos sonhos, mas o possível: abre portas e estabelece cotas, mas o livre comércio ainda está distante. Ainda mais com as novas salvaguardas impostas pela UE que significam ameaças injustas ao nosso agro”, afirmou.

Agenda institucional

Como parte do cronograma de acompanhamento, o senador confirmou para o próximo dia 22 de janeiro uma reunião com a embaixadora da União Europeia no Brasil e representantes do Parlamento Europeu.

O encontro visa alinhar expectativas e evitar entraves que possam atrasar a agenda de ratificação no Congresso Nacional.

Nelsinho Trad, que ocupa a vice-presidência da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, ressaltou que a atuação do Senado será pautada pela defesa da competitividade nacional.

“Acordos internacionais exigem preparo e maturidade. O Brasil precisa estar organizado para competir, proteger seus interesses e ampliar sua presença nos grandes mercados globais”, pontuou.

O texto do acordo agora segue para análise das comissões temáticas do Congresso Nacional antes de ser submetido à votação em plenário.

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