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sábado, 17 de janeiro de 2026

‘Falta de planejamento histórico sobrecarregou Santa Casa’, afirma secretário de Saúde

O secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela (PP), avalia que o colapso enfrentado pela Santa Casa é reflexo de uma deficiência histórica no planejamento estratégico da Capital e do Estado. Segundo o responsável pela pasta, gestões anteriores utilizaram o hospital filantrópico como o único suporte para a média e alta complexidade, negligenciando a necessidade de expansão da rede própria de leitos.

“A [situação da] Santa Casa, infelizmente, a história explica isso. A história de Campo Grande. Os secretários, os prefeitos que passaram por aqui não pensaram no planejamento estadista da cidade e do Estado”, afirmou Vilela em entrevista ao Jornal Midiamax. Para o secretário, a lógica de que “a Santa Casa vai dirimir esse problema” evitou, por décadas, a construção de novos hospitais, resultando na atual saturação do sistema.

Integração tardia e falhas na regulação

Vilela destaca que a percepção real da carência de leitos só se tornou técnica quando o Complexo Regulador, localizado na esquina da Rua Bahia com a Avenida Afonso Pena, passou a operar efetivamente durante sua primeira passagem pela pasta, em 2017. Na época, ele relata ter enfrentado resistência para integrar os serviços municipal e estadual.

“O Estado ocupou o segundo andar, quando tinha acabado de começar a regulação estadual, e o município não queria entrar de jeito nenhum, por pura falta de integração”, relembrou. O gestor pontuou que, após sua saída, o município acumulou um atraso de três anos no alinhamento com a política de regionalização do Estado, que adotou um sistema de regulação mais moderno, enquanto Campo Grande permanecia estagnada.

Com o retorno de Marcelo à Sesau, a integração foi retomada. O diagnóstico atual aponta que, em média, 160 pacientes aguardam por vagas de média complexidade. “Isso mostra, pelo trabalho técnico, que a gente precisa reunir novas vagas. Santa Casa pode absorver isso? Parece que não”, questionou.

Ineficiência financeira e intervenção

A análise de Vilela também recai sobre a prestação de contas do hospital. Embora a Prefeitura tenha repassado R$ 41 milhões recentemente, os pagamentos aos médicos não foram realizados, o que motivou o secretário a levar o caso ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

O gestor argumenta que, por ser uma instituição filantrópica, a Sesau possui limitações para auditar o fluxo financeiro interno da Santa Casa. “Nós temos auditoria de serviço em saúde, que é do DenaSUS. Só que a administração econômico-financeira deles lá, o que eles fazem com o dinheiro? Eu não entendo”, declarou.

Vilela reforçou que a governabilidade para fiscalizar instituições dessa natureza cabe à promotoria do Ministério Público Estadual. “Eu falei isso no Ministério Público, eu preciso de transparência. Eles falam que têm transparência, mas eu não tenho uma auditoria que fala, realmente: eles estão fazendo isso com dinheiro, faz isso e falta dinheiro”.

Futuro da contratualização

O secretário informou que o governo estadual contratará uma auditoria externa ainda este ano para sanar as dúvidas sobre a saúde financeira do hospital. Além disso, uma comissão técnica revisará os contratos de compra de serviços.

“Quem dá o norte da compra de serviço é o SUS, ou seja, é o gestor estadual e o gestor municipal conversando. A gente não quer que chegue ao ponto, chegar no final do ano, ficar negociando [pagamentos salariais atrasados]. É complicado isso com a população”, concluiu.

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