O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio da Procuradoria-Geral de Justiça, com apoio dos seus órgãos, Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) e Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC), deflagrou na manhã de hoje, dia 09/09, a “Operação Spotless”, que teve objetivo o cumprimento nos Municípios de Terenos e de Campo Grande de 16 mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Egrégio Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
A investigação constatou a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a Administração Pública instalada no município de Terenos/MS, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por um agente político, que atuava como principal articulador do esquema criminoso.

A organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para fraudar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames para beneficiar empresas participantes do esquema delituoso, mediante a elaboração de editais moldados e por meio de simulação de competição legítima, em contratos que, somente no último ano, ultrapassaram a casa dos R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
O esquema envolvia também o pagamento de propina aos agentes públicos que, em típico ato de ofício, atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços, como ainda aceleravam os trâmites administrativos necessários aos pagamentos de notas fiscais decorrentes de contratos firmados entre os empresários e o poder público.
Durante os trabalhos, o MPMS valeu-se de provas obtidas, especialmente o conteúdo extraído de alguns telefones celulares apreendidos, na Operação Velatus, compartilhadas mediante autorização judicial, que revelaram o modus operandi da organização criminosa e possibilitaram que se chegasse até o líder do esquema.
A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (BOPE).
“Spotless” – termo que dá nome à operação, é uma referência à necessidade de os processos de contratação por parte da Administração Pública serem realizados sem manchas ou máculas.
O desembargador autorizou acesso aos telefones celulares e dispositivos informáticos de todos os investigados, inclusive durante o ato de cumprimento da ordem de busca e apreensão para preservação da evidência.
Confira a lista:
Henrique Wancura Budke (Prefeito de Terenos)
Arnaldo Santiago (Empresário)
Cleberson Jose Chavoni Silva (Empresário)
Eduardo Schoier (Empresário)
Fábio André Hoffmeister Ramires (Empresário)
Fernando Seiji Alves Kurose (Empresário)
Genilton da Silva Moreira (Empresário)
Hander Luiz Correa Grote Chaves (Empresário)
Isaac Cardoso Bisneto
Leandro Cícero Almeida de Brito
Nadia Mendoça Lopes (Empresária)
Orlei Figueiredo Lopes
Sandro José Bortoloto (Empresário)
Sansão Inácio Rezende (Empresário)
Tiago Lopes de Oliveira (Empresário)
Valdecir Batista Alves
Alexandre Oliveira Pinheiro (Empresário)
Arnaldo Godoy Cardoso Glagau (Empresário)
Celso Ricardo Gazola (Empresário)
Daniel Matias Queiroz (Empresário)
Edneia Rodrigues Vicente (Empresária)
Felipe Braga Martins (Empresário)
Fernanda Fidelis de Souza
Fernando Gomes Camargo (Empresário)
Jucélia Maria de Oliveira (Empresária)
Luziano dos Santos Neto (Empresário)
Maicon Bezerra Nonato (Secretário de Administração de Terenos)
Marcos do Nascimento Galitzki (Empresário)
Rinaldo Cordoba de Oliveira (Empresário)
Rogério Luís Ribeiro (Empresário)
Stenia Sousa da Silva (Empresária)
Vanuza Candida Jardim (Empresária)

