Folia, glitter e barulho. Para muitos, essas palavras são sinônimos do feriado de Carnaval, um dos mais tradicionais do Brasil. Outros, no entanto, reservam o período para oração, fé e conexão espiritual.
Esse é o caso de Mariana Presotto, de 20 anos, que participou de um retiro espiritual pela primeira vez no ano passado e se apaixonou pelo movimento. Por influência da irmã, Gabriela, que havia feito um acampamento da igreja meses antes, a jovem decidiu dar uma chance à experiência — mesmo relutante no início.
“Ela [a irmã] quis me levar para o movimento, me inscreveu escondido porque, a princípio, eu não queria ir, mas não me arrependi em momento nenhum dessa decisão”, conta Mariana. Antes da data do retiro, ela esperava viver algo bonito e diferente, mas diz que as expectativas foram superadas. “A experiência foi maravilhosa, foi muito além de tudo que eu esperava. Eu esperava algo tocante, uma experiência maravilhosa com Deus, algo que me reaproximasse da minha fé, mas foi muito além disso.”
Católica da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Mariana afirma que o momento, além da conexão espiritual, fortaleceu os vínculos criados. “Eu fiz amizades e hoje me sinto pertencente a um grupo também. São as pessoas que conheci e convivo hoje na igreja.” Com seus irmãos — termo designado para se referir aos integrantes de um mesmo grupo no retiro —, ela compartilhou também outras vivências durante o ano de 2025.
De participante a servidora
Mariana conta que o acampamento juvenil, realizado por ela no Carnaval passado, só pode ser feito uma vez. Porém, isso não impediu a jovem de seguir conectada com momentos de fé.
Ela passou a participar como voluntária em outros retiros realizados ao longo do ano, geralmente em feriados municipais ou nacionais. “Depois que fiz o meu, eu passei a servir neles como uma forma de retribuir o que um dia foi me dado pelo serviço dessas pessoas”, explica.
A jovem destaca que o trabalho para servir vai muito além de apenas os dias de retiro. “Demanda muito planejamento, muita organização, começa muito antes da data que realmente acontece o acampamento. Já tem pessoas parando as suas vidas para passar a organizar o acampamento para aquelas pessoas”, relata.
Para Mariana, servir se tornou também uma forma de reconhecimento. “Servir para mim passou a ser pagar um pouco do trabalho, do serviço de outras pessoas que fizeram um dia por mim”, conta. Ela explica que essa retribuição é parte do que aprendeu no retiro, uma “corrente do bem” que se espalha a cada acampamento.

Novo sentido para o Carnaval
Apesar de já ter participado de festas de Carnaval, Mariana diz que hoje não compara as experiências. “É legal, claro, é uma experiência divertida também, mas não se compara a estar lá [no retiro]”. Para ela, o retiro representa uma oportunidade única. “Acontece só uma vez no ano. Acho que não custa nada deixar de viver um pouco aqui fora, o que acontece corriqueiramente, para viver uma experiência diferente lá dentro.”
Com o tempo, o feriado passou a ter outro sentido para ela. “O Carnaval passou a ser um momento de conexão com a minha fé também”, afirma. Apesar de jovem, Mariana diz não sentir falta dos famosos bloquinhos de rua ou outras festas. “Eu não sinto, em momento nenhum, que eu tô perdendo algo por não estar nas festas, mas também não me sinto melhor por isso.”
Para ela, a escolha é pessoal e deve ir de acordo com o momento de cada um. “Acho que cada um tem que fazer o que significa para si. Para mim significa muito estar lá dentro hoje, me faz bem. E eu sei que estar lá também faz bem para outras pessoas, então o Carnaval passou a ser uma troca”, explica.
Laços que permanecem
Nas vezes em que atuou como voluntária, Mariana serviu dentro da mesma paróquia, o que fortaleceu seus vínculos. “Acaba que você forma um grupo de amizades, um grupo de pessoas”, conta. Ainda que exista a possibilidade de servir em outras paróquias, as pessoas costumam se vincular a uma só, já que um dos objetivos dos acampamentos é manter as conexões.
Além disso, não é apenas a religião católica que costuma realizar esses eventos. Com o tempo, o Carnaval se tornou um período tradicional de retiros espirituais de outras fés, como a evangélica e budista. Assim, ainda que de uma maneira distante das festas carnavalescas, as pessoas compartilham um momento de integração durante o mês de fevereiro.




