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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Artigo: O que é política para você?

07/11/2019 19h03 – Atualizado em 07/11/2019 19h03

Artigo: O que é política para você?

Por Joelcir Zeni

A política é um dos grandes tabus e quando alguém rompe essa “regra” se percebe tratando de um assunto que tem gerado desconforto, atritos nas relações do dia a dia. A forma de conceber a política pode ser divido em três grupos: O primeiro e numericamente mais expressivo é composto por aquelas pessoas que resistem em falar sobre política. O segundo, já em número menor em relação ao primeiro, é formado por pessoas que embora relutando, em algum momento emitem seu conceito, mas a definem como uma via contrária aos bons princípios e, por isso, perversa, nociva a sociedade, ou seja, pouco difere do primeiro grupo.

Enfim, no terceiro grupo e o menor de todos estão as pessoas que, diferente dos grupos anteriores, conceituam a política como uma via indispensável as mudanças e com plena relação as diversas situações do dia a dia. Nesse sentido vale indagar:

O que é política para você? Com quais dos grupos mencionados você se identifica?

De maneira objetiva quer-se discorrer sobre o que é conceitualmente a política e tão logo possibilitar ao leitor a percepção de que esse descrédito da maior parte das pessoas em relação à política, é fruto, está embasada nas práticas próprias da politicagem onde o benefícios estão em favor de poucos e, por isso, não preserva nenhuma afinidade com aquilo que prima a verdadeira política.

A política se caracteriza pelo ato de dialogar sobre assuntos pertinentes a pólis – do grego cidade/estado. O diálogo é a via para sedimentar ações de alcance coletivo. O diálogo coloca em realce os pontos de convergência e possibilita o consenso em relação aqueles pontos divergentes. “A política é a arte de governar, de gerir o destino da cidade”. (ARANHA; MARTINS, 2009, p. 266). A política é uma ciência e, enquanto tal, deve estar a serviço de todos e os agentes públicos devem ser aqueles “cientistas” aptos a estarem nesse “laboratório”.

Esse critério seletivo de qualificação para o desempenho da função é utilizado para outras áreas, ou seja, ninguém aceita ser atendimento por alguém que se intitula médico se este não estiver devidamente preparado e certificado para desempenho da função. Também poucos ou ninguém confiaria à educação formal de seus filhos a um professor ou professora que não esteja cientificamente preparado. Porém, para o exercício – prática – dessa ciência chamada política tem-se habituado admitir pessoas, em sua maioria, despreparadas para o pleno desempenho daquilo que implica a função de gestor.

Sem dúvidas que o Estado de direito, os fundamentos de cunho democrático asseguram a isonomia entre os indivíduos e, por isso, todos que desejarem, com exceções previstas em lei, podem se candidatar e concorrerem ao executivo ou ao legislativo em todas as esferas de acordo com o calendário eleitoral.

Consequentemente, o direito de concorrer a uma vaga é constitucionalmente assegurado. Assim, mais do que exigir que somente pessoas graduadas possam se candidatar, faz-se imprescindível oferecer aos eleitores formação adequada para que preservem os princípios democráticos e também analisem criteriosamente, entre os candidatos, os que melhor podem desempenhar com plenitude e serenidade as funções que o cargo lhe incumbe.

Desconhecendo sua força constitucionalmente assegurado, não conhecendo o verdadeiro conceito da política e frustrado com a negligência dos seus representantes, muitas vezes o eleitor opta por eximir-se do debate político e ao votar age sem uma análise mais profunda e muitas das vezes vota resolvendo a vida do candidato.

Essa postura egoísta de candidatos e eleitores implicou negativamente no modo de gerir a coisa pública. A busca pelo poder por parte do candidato e a percepção, por parte do eleitor, de que essa busca em preço tem tornado as eleições no Brasil um mercado milionário, porém, está explicito que eleição milionária resulta em gestão deficitária. Para que o conceito da verdadeira política seja gradativamente colocado em destaque, vários fatores poderiam ser elencados.

Entre eles, faz-se imprescindível ponderar que mudanças de comportamento ocorram por parte do eleitor, ou seja, é determinante que os cidadãos tomem ciência de que a política permeia toda a sua vida, que a política está presente em todos os atos do seu cotidiano – na família, na escola, no trabalho, na igreja…

Tendo essa percepção os eleitores podem protagonizar a mudança que passa também pelo ato de escolher sadiamente em quem votar, ou seja, não condicionarem o voto a valores monetários que além de irrelevantes, não resolverá definitivamente sua vida financeira. Pelo contrário, num futuro muito próximo, resultará no comprometimento dos serviços básicos como saúde, educação, habitação, lazer, saneamento básico, entre outros, que consequentemente afetará não só a sua vida, mas a de inúmeros indivíduos, pois os milhões usados para chegar ao poder deverão ser fielmente devolvidos e por sinal multiplicados várias vezes.

Vender o voto é subestimar sua capacidade de escolha e a partir desse ato, indiscutivelmente, deixa de existir entre você eleitor e o político qualquer compromisso moral, ou seja, você renúncia ao direito de exigir mudanças. Portanto, o caminho não é odiar a política, mas excluir do cenário político aqueles que a pervertem e fazem desta um trampolim para ascenderem ao poder com o intuito de realizar anseios particulares.

Cabe ao eleitor atentar-se para a existência de pessoas idôneas que podem implicar mudanças no modo de gerir o destino da cidade. A inércia, a insensibilidade diante das mazelas além de agravar a situação nos torna coniventes com os fatos. Assim, a afirmação “roubou, mas fez”, deve ser veementemente rechaçada, pois apropriar-se indevidamente do que é do outro nunca foi e nem será um valor.

Portanto, a política é a ciência que por essência visa cultivar e propagar a vida, de ser, entre outros, a ferramenta, o meio que conduz os indivíduos a felicidade. Do contrário, se sob a custódia de pessoas egocêntricas a política torna-se fator de desordem, e o que era para ser o antídoto em prol da vida, transforma-se numa droga letal – abortando sonhos e sucumbindo vidas.

Referência bibliográfica

  • ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à filosofia. – 4. ed. – São Paulo: Moderna, 2009. p. 266.

  • ZENI, joelcir. Bacharel e Licenciado em Filosofia. Pós graduado em: Metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia. Professor da Rede Estadual de Ensino.

Joelcir Zeni. Bacharel e Licenciado em Filosofia. Pós graduado em: Metodologia de Ensino de Filosofia e Sociologia. Professor da Rede Estadual de Ensino. Foto: CorreiodoMS

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